sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Soneto Sentimental à Cidade de São Paulo:


Fonte Dançante Flutuante, no lago do Parque Ibirapuera. São Paulo, Capital. Foto: Dan Souza.

" Ó cidade tão lírica e tão fria!
Mercenária, que importa - basta! - importa
Que à noite, quando te repousas morta
Lenta e cruel te envolve uma agonia

Não te amo à luz plácida do dia
Amo-te quando a neblina te transporta
Nesse momento, amante, abres-me a porta
E eu te possuo nua e frígida.

Sinto como a tua íris fosforeja
Entre um poema, um riso e uma cerveja
E que mal há se o lar onde se espera

Traz saudade de alguma Baviera
Se a poesia é tua, e em cada mesa
Há um pecador morrendo de beleza? "

(Vinícius de Moraes)

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